Confira a crítica de Cinderela em Paris, o Diabo Veste Prada dos anos 50!

A CRÍTICA ABAIXO CONTÉM SPOILERS DO FILME!

Bom pessoal, é realmente difícil falar sobre um filme mais antigo e, por isso, tentarei tomar todo o cuidado possível para não ser injusto com a visão da sociedade na época da produção.

Observações à parte, falaremos sobre um clássico fashion dos anos 50, o fofo e colorido Cinderela em Paris, estrelado pela musa Audrey Hepburn e pelo grande Fred Astaire.

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Começando pela parte burocrática, me recordo de ter lido em algum lugar que no ano em que o filme foi filmado (meados de 1956), a carreira de Fred Astaire estava em decadência, e por Audrey gostar muito dele, acabou querendo ele interpretando o galã do filme. Como ela estava em ascensão nessa década, o estúdio aceitou a parceria. E gente, o resultado é simplesmente mágico.

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Audrey Hepburn, para quem não sabe, fez ballet por muitos anos mas não continuou a carreira por ser considerada alta demais para o padrão de bailarinas da época. E essa experiência com a dança ajudou demais o longa…

Cinderela em Paris é um musical que conta a história de Jo Stockton (Audrey), uma balconista de livraria, que é surpreendida com o convite de transformar seu visual e ir para Paris fazer uma sessão de fotos importantíssima com o fotógrafo Dick Avery (Fred) para uma revista chamada Quality Magazine. Jo aceita o convite, mas só pelo fato de um dos seus escritores favoritos morar na cidade. Por isso, é bem imaginável que as coisas não saiam como o planejado…

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Os dois protagonistas são incríveis e super cativantes, até porque não tem como Audrey FUCKING Hepburn não ser meiga e Fred FUCKING Astaire não ser um galã super conquistador. Ainda temos Maggie Prescott (interpretada pela maravilhosa Kay Thompson), que é como se fosse a Miranda de “O Diabo Veste Prada” em uma versão um pouco mais clean (ou não, já que na época uma megera poderia ser facilmente ela), uma personagem que consegue roubar a cena mesmo com protagonistas fortíssimos.

A trilha sonora é incrível e eu fiquei muito apaixonado pelas canções originais do filme. Tem uma cena super fofa da Audrey com o Fred em que eles dançam e cantam em uma daquelas salas de revelação de fotografias. Senti uma nostalgia muito forte de algo que eu nem vivi, e isso é incrível. Ah, e é lindo ver Hepburn usando sua voz de verdade em musicais (shade proposital para a Paramount pelas idiotices cometidas na produção de My Fair Lady). Confira:

Temos também um figurino maravilhoso no longa (feito pelo talentosíssimo Hubert de Givenchy), que vão desde uniformes pobretões até vestidos finíssimos. As cores vibrantes do filme são um charme à parte. Elas se tornaram referência no mundo pop e fazem escola até hoje. Algumas técnicas que são usadas no Photoshop são encontradas facilmente por lá. Inclusive, Beyoncé se inspirou totalmente nesse filme para fazer o clipe de “Countdown”, do álbum “4”, olha só:

Para a nossa geração, algumas cenas podem soar bem bregas, como aqueles beijos do casal principal que são considerados apenas selinhos hoje em dia e algumas partes finais um pouco estouradas na iluminação e granuladas demais. Mas, para mim, isso é questão de evolução cinematográfica e por isso, é lindo de se ver.

Portanto, Cinderela em Paris é um clássico que não merece ser esquecido. É uma pena não termos tantos filmes que envolvem moda tão bons quanto esse… Vá agora mesmo assistir essa produção exuberante, que merece um 10 em todos os quesitos! Ah, e não se esqueçam: tenham empatia na vida de vocês. :p